Sofrer três gols de bola aérea e perder mais uma partida, a terceira seguida em uma semana, é o resultado de uma noite em que time, treinador e torcida (sim, a torcida também) do Avaí estiveram fora de sintonia. O problema do Leão está justamente na cabeça. De todos.
Comecemos pelo time. Gostei da escalação. Tirando as ausências de Bruno e William, é o que o Avaí tem, em teoria, de melhor. Mas não funcionou. Mesmo com dois cabeças-de-área do tipo "pit-bulls", Julinho não passou do meio-campo o jogo inteiro. Não entendi o porquê. Os dois Marquinhos poucas vezes aproximaram-se para fazer jogadas. Rafael Coelho pelos lados do campo? Não vi. O que vi foi Acleisson e Marcinho Guerreiro enterrados entre os zagueiros quando o Leão era atacado e fraca cobertura nas laterais.
Vi também um time cabisbaixo, errando passes fáceis, perdendo divididas, mal posicionado nos cruzamentos. Um time sem rumo depois da derrota de quarta e com um treinador igualmente perdido fora de campo. A torcida pensa com o coração, mas às vezes ela tem razão. Logo que saiu o segundo gol mineiro, Estrada deveria ter entrado. A torcida pedia e uma jogada que o colombiano fizesse seria suficiente pra trazer os torcedores para o lado do time - além disso, os dois Marquinhos eram nulos em campo. Mas não. Silas, em mais uma demonstração de teimosia, só colocou Estrada quando o jogo já estava perdido. Como o colombiano entrou correndo bastante e fazendo algumas boas jogadas, o treinador só conseguiu uma coisa com a alteração: irritar os poucos torcedores que se dispuseram a ir à Ressacada.
Pois é, foram poucos torcedores, aliás, pouquíssimos. Foi o segundo pior público do Avaí desde a volta à Série A, à frente apenas do jogo contra o Ceará ano passado. Naquela noite, caiu um toró e o Avaí estava ameaçadíssimo pelo o rebaixamento. Já quem estava meio alheio aos acontecimento e foi à Ressacada no sábado deve ter achado que o Leão está à beira da queda para a Série D... Exagero o que a torcida fez. Abandonou um time que fez campanha surpreendente na Copa do Brasil e criou um clima de terra arrasada injustificável. No início do ano, quem apostava em chegar à semifinal da Copa? Seria melhor ter perdido contra o Botafogo nas oitavas?
Nesse momento, só quem não pode perder a cabeça é a diretoria. O Avaí tem time pra reagir, só precisa reforçar o elenco em algumas posições. Uma conversa ao pé de ouvido com Silas, pedindo pra ele parar com teimosias e invenções, e quem sabe ele volte a ser o treinador de 2008-2009. E uma campanha pra (re)motivar o torcedor pode tornar a Ressacada novamente um caldeirão. O Avaí tem jeito e não é difícil.
Adversário - O Galo tem um bom time e um ótimo treinador. Mesmo assim, não achei que jogou bem no sábado. Errou muitos passes e só teve chances em bola parada. Mas foi o suficiente pra vencer com facilidade o cabisbaixo Avaí.
Romano - Num dia, ele, que estava "voando", entra improvisado em uma semifinal de Copa do Brasil e é, segundo o treinador, o "jogador mais lúcido do time no primeiro tempo". No outro, nem no banco fica. Incoerência e mais uma pauta pra conversa ao pé do ouvido entre diretoria e treinador.
Estrada - Não acho que seja um cracaço, acho um bom jogador e de todas as duplas de meias que o Avaí teve este ano, Marquinhos e Estrada foi a melhor. Eles jogaram juntos nas duas melhores partidas do Leão no ano, contra o Figueirense no Scarpelli e o São Paulo na Ressacada. Tirar o colombiano do time é mais uma das decisões inexplicáveis de Silas. Outra pauta pra conversa ao pé do ouvido.
Fábio Santos - A estréia não foi grande coisa, mas contra o Galo foi o melhor jogador do Avaí. Se continuar assim, o Avaí ganha mais uma boa opção para o ataque. Pelo tamanho, briga por posição com o William.
Bola aérea - OK, o time estava abatido e tal, mas a defesa do Avaí levar gol de cabeça não é novidade, seja com dois ou três zagueiros. Defeito que nem Benazzi nem Silas conseguiram corrigir.