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Fernanda Aline é Bacharel em Língua Inglesa e Literatura e comenta sobre o Avaí.


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30/05/2011 às 22:15:00

Marquinhos: O anjo caído


Marquinhos Santos se despede da Ressacada rumo ao Olímpico e já veste as cores do Grêmio. Foto: Alceu Atherino


É inevitável: todo fim de relação, seja ela qual for, causa mágoas. Quando se deposita esperança, dedicação e, principalmente, expectativas, não é fácil fugir da decepção inerente à quebra de um ciclo. E aqui em Florianópolis, mais uma história do gênero se repete. Drama? Há quem diga que seja. Comédia? Existem pitadas disso. Romance? Definitivamente não mais.

O acima descreve elementos de um possível curta-metragem estrelado por Marquinhos Santos, cujo fim se deu hoje, após quatro meses de passagem do meio-campista pela Ressacada. Um retorno nada glorioso, muito abaixo do esperado pela torcida avaiana e que gerou feridas mascaradas em vaias.

Segundo Marquinhos, na coletiva de despedida de hoje à tarde, na Ressacada, as vaias são "elogios disfarçados", mas há cabeças pensantes que discordem. A torcida avaiana nunca deixou de elogiá-lo, nem nunca se privou disso por questão de orgulho. Ao contrário, sempre provou que o apoiava em tempos difíceis, mesmo quando deixou o clube para ir jogar no Santos, e mesmo quando ele fez partidas de qualidade técnica inferior às que fazia outrora.

O mesmo otimismo desmedido levou Marquinhos a dizer que não ficou no Avaí, pois não achou justo desequilibrar o orçamento do clube. E mais: o fez afirmar que não queria deixar Florianópolis. Mas deixou.

Como se não bastasse, nos resta ouvir da própria boca de Marquinhos que o jogador jogou "sem alma" no jogo contra o Atlético MG, pois estava com a cabeça nos pampas. Segundo o próprio, ele estava em campo "só de corpo". Não que eu duvide do que foi dito, porém Marquinhos esqueceu que há jogos ele não vinha apresentando um bom futebol. As vaias vieram na última partida apenas como reflexo de mágoa do torcedor, mas o futebol que Marquinhos vinha apresentando nos últimos meses era digno de um jogador não com proposta gremista, mas com assédio dos mais bem sucedidos times europeus.

Nesta coluna, quero deixar clara a minha intolerância à hipocrisia, o que ao mesmo tempo me leva a concluir que os jogadores devem, sim, partir para clubes maiores, ganhar mais dinheiro e serem mais famosos. Afinal, são profissionais, como eu também sou e você que está lendo também é. Agora, que abram a boca para discursos felizes, que sejam coerentes com a realidade e que não que tentem enrolar o torcedor. Nossa inteligência não pode ser rebaixada a esse nível.

Portanto, a lógica é simples, meus caros: jogadores vêm e vão e são movidos a dinheiro, acima de qualquer outro elemento. São atletas, e não palestrantes. São seres humanos comuns, e não mártires. Se ele voltou, agora é hora de ir. Não como anjo, porque anjos são fiéis, mas como mero jogador de futebol.

Sem mais presenças celestiais na Ressacada, seguimos com a programação normal.


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