Mandato de Delfim na FCF termina em abril de 2015, mas ele quer se reeleger
Foto: Marina Lisboa
O itajaiense Delfim de Pádua Peixoto Filho tem 70 anos de idade e é presidente da Federação Catarinense de Futebol (FCF) desde 1985. Nesta entrevista à reportagem do
FutebolSC.com, ele relembra momentos de sua trajetória política, esclarece temas polêmicos e revela que pretende concorrer à reeleição pela sétima vez, abril de 2015.
FutebolSC.com: Entre 1971 e 1983, o senhor foi deputado estadual em Santa Catarina. Em 1985, tornou-se presidente da Federação Catarinense de Futebol, cargo que ocupa até hoje. Como ocorreu essa transição?
Delfim: Eu já não queria concorrer a deputado, já tinha terminado três mandatos. Eu teria que concorrer a deputado federal, mas não pensava absolutamente nisso porque não gosto de Brasília, não iria
pra lá, e resolvi parar. Eu tinha sido presidente do Marcílio
(Dias), e então houve uma eleição já em 1982 em que fui eleito vice-presidente da Federação. Em 1985, o titular
(Pedro Lopes) renunciou e eu assumi. Depois, em 1986, teve a eleição normal, e
tô até hoje.
FutebolSC.com: Desde 1985, é possível observar que os clubes catarinenses, principalmente os da capital, ganharam maior projeção no cenário nacional. Quais são os seus principais méritos nesse processo?
Delfim: O futebol catarinense evoluiu muito de 1985
pra cá. É só olhar os números, olhar a história, o que a imprensa diz, o resultado dos clubes em campo. Mas não é mérito só meu. Isso é mérito daqueles que trabalham comigo, dos clubes, das ligas, que também ajudam, e um pouco de mérito meu, pelo fato de pertencer à CBF, ser conselheiro e, inclusive, membro do conselho consultivo. Já fui vários anos reeleito e, esse ano, eleito novamente para o conselho consultivo, que é um dos órgãos mais ligados ao presidente Ricardo Teixeira. Isso nos faz ter uma ascendência um pouco maior.
Mas a seriedade de levar o futebol como uma coisa importante, séria, como um negócio, que hoje envolve muito dinheiro, não permitir ‘viradas de mesa’ – como aconteceu no passado, infelizmente –, não permitir manipulação de arbitragem – que também acontecia -, isso fez haver mais credibilidade do torcedor junto à federação e junto aos clubes e, por isso, o futebol catarinense deu uma melhora violenta.
FutebolSC.com: Pelas suas declarações, o senhor parece realmente muito próximo ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Como é essa relação, e como você avalia as críticas que são feitas ao trabalho dele?
Delfim: Eu sou mais antigo que o Ricardo Teixeira. Quando fui eleito, o presidente da CBF ainda era o Otávio Pinto Guimarães. Depois, eu fui um dos que organizou a candidatura do Ricardo Teixeira no México, durante a Copa de 1986, a pedido do então presidente
(da Fifa) João Havelange, do qual sou amigo há muitos anos. Por eu ter sido um dos presidentes de federação que viabilizou a candidatura do Ricardo Teixeira, isso faz com que eu seja um dos mais ligados a ele. É um homem trabalhador, é um empresário. Quando entrou, ele já era um homem muito rico. Era dono de banco, dono de financeira...
Mas, como todo líder do futebol, chamado de ‘cartola’ – nós somos chamados assim por parte da imprensa, principalmente a imprensa marrom –, nunca se está livre de acusações. É o que acontece com o presidente Ricardo Teixeira, pelas posições firmes que ele toma. Ele já respondeu uma CPI, já foi absolvido de todas as acusações que fizeram. A última foi esse problema da FIFA, e ele acabou também sendo absolvido, prova de que ele é um vencedor, sem dúvida nenhuma.
FutebolSC.com: Pode-se dizer que em Santa Catarina ocorre algo semelhante em relação ao senhor. Na sua opinião os membros da imprensa deveriam ter mais respeito, devido à sua longa trajetória?
Delfim: Não, aqui no Estado até não tenho muito do que reclamar. Nesses 26 anos que presido a federação, eu tive poucos problemas com a imprensa. Hoje, praticamente só tem um em Florianópolis que é meu inimigo. Gratuito, mas é. Até porque no futebol eu faço muito mais amigos, e acho que o futebol é pra se fazer amigos. Esse que se tornou meu inimigo foi um ex-árbitro, que, se foi alguma coisa na vida, deve a mim, mas decidiu ser meu inimigo. Na imprensa, tive críticas, muitas críticas. Algumas críticas boas, construtivas, que me fizeram melhor, e que eu aceito.
Eu não sou centralizador, sou democrata, sou um ex-preso político, então não preciso dizer mais nada. Eu aceito a democracia como uma maneira de poder criticar e receber críticas. Só não aceito as críticas maldosas, mentirosas. Essas, ninguém aceita.
FutebolSC.com: Por que o senhor prefere não se referir a esse ex-árbitro pelo nome?
Delfim: Ah, todo mundo sabe. As iniciais são D.B.
FutebolSC.com: Em maio do ano passado, o então vice-presidente da FCF, Valdir Lodetti, revelou em um canal de televisão que não havia sorteio de arbitragem em Santa Catarina, e que era o senhor quem indicava os árbitros para determinados jogos. Essa declaração repercutiu nacionalmente e de forma negativa, como não poderia ser diferente. O que aconteceu após esse episódio?
Delfim: O Lodetti é um bom rapaz, é meu vice no Sul, foi meu árbitro, é uma pessoa muito boa. Mas não é uma pessoa que tem muitos ‘lustres’, vamos assim dizer. Ele não é muito preparado, e um certo jornalista enrolou ele, como ele não tinha conhecimento de como realmente acontece. Mas agora ele tem: eu o convidei, ele veio assistir ao sorteio de arbitragem – inclusive, é a única federação que faz sorteio ao vivo –, ele veio participar, viu como funciona. O Lodetti reconheceu que errou, mas ele foi enrolado pelo jornalista.
FutebolSC.com: Também no ano passado, o seu filho foi acusado de invadir uma cabine de transmissão de rádio em Joinville e agredir o repórter Rodrigo Santos, de Brusque. Como está o andamento desse processo na justiça?
Delfim: Isso ainda
tá na justiça, vamos esperar. Mas se vocês olharem os blogues anteriores à agressão, vocês vão ver que houve muita provocação e, quem não tem sangue de barata, talvez fizesse a mesma coisa que o menino fez. Não aprovo de maneira alguma, mas aconteceu, e vamos ver qual é o veredicto da justiça. O fato não aconteceu como foi contado, e há testemunhas.
Por incrível que pareça, eu conheci ele
(Rodrigo) no dia da festa de encerramento do Campeonato Catarinense 2011 na FIESC. Eu o vi de longe, e me disseram ‘aquele lá é o Rodrigo’. Ele é o dobro do meu filho! Meu filho é um rapaz forte, mas ele é o dobro. Agora, se é verdade que ele recebeu um soco e chorou, então ele é um grande covarde, isso sim. Mas não foi assim, não. Houve uma provocação por parte do Rodrigo.
FutebolSC.com: O seu atual mandato como presidente termina em abril de 2015. O senhor tem pretensão de concorrer à reeleição e continuar à frente da FCF? Existe alguém em Santa Catarina que tenha experiência e capacidade para assumir o seu lugar?
Delfim: Olha, se eu tiver saúde e o pessoal quiser, enfrento mais uns quatro aninhos aí. Mas ninguém é insubstituível, em função nenhuma. A hora que eu parar, vai ter gente com capacidade e condições de assumir.
FutebolSC.com: Caso o senhor estenda seu mandato em 2015, será a sua sétima reeleição na FCF. De que modo o senhor encara as manifestações contrárias à sua permanência no cargo de presidente?
Delfim: A imprensa brinca que
tá na hora de eu sair, que já fiquei muito tempo. Mas o Sarney
tá mais tempo como senador do que eu aqui,
né?
FutebolSC.com: Sim. Mas, quanto ao Sarney, o senhor não acha que está na hora de deixar o cargo?
Delfim: Eu acho que
tá na hora de ele sair, mais do que eu.